domingo, 21 de Outubro de 2007

Quebra-Seda

Há uma potência crescente da tristeza cobarde que explode sempre. Sempre.



Quando as almas fúnebres se reúnem para honrar a fria lápide, outrora uma célebre figura de cabelos brancos, o dilúvio sentimental é inevitável e as menções honrosas mais que muitas. Flores e dedicatórias.

Um jovem, enclausurado na sua figura imponente, permanece impávido a tamanho rito. Tal qual marinheiro que estiva seus bens, este jovem permanece numa apneia de sentimentos cortinados pela face de expressões rígidas. Racionaliza cada frase, tacteia cada laje, e o fio de seda que suporta todo aquele figurino... permanece intacta. Apneia inglória.

No derradeiro adeus da dedicatória Nietzschiana a dor era insuportável, e a seda sofre uma quebra - O jovem não mais impávido soluça a célebre figura, desfaz-se o figurino rígido, e apoia-se na fria lápide.
(A débil respiração não era mais um tambor firme qual coluna...)

Todo o orgulho cobarde de que se pavoneava... foi-se!



"Não meu filho. Não é fraqueza chorarmos por quem gostamos.
Sejamos humanos."


E assim te dedico muito do meu crescimento. Sim, já sou crescido. Uma criança crescida.
Quando Nietzsche chorou, também eu chorei, eu que outrora fui um jovem, enclausurado pela minha figura imponente.



A recompensa dos mortos é nunca mais morrer


God is an Astronaut - Fragile

2 comentários:

Marlon disse...

'A recompensa dos mortos é nunca mais morrer'.

Sem qualquer dúvida. No entanto não creio que a morte seja algo assim tão aterrador, talvez por já me ter encontrado diante dela demasiadas vezes. No meu singelo universo, compreendo, contudo, que o sofrimento ultrapassa qualquer concepção de morte.

Sim, custa sofre. E daí? Por mais que não queiras aceitar, entender, ou até mesmo compreender, todos sofremos e sofreremos um dia.

Yes, truth is cruel, indeed.

Mas gostei, especialmente da referência à dedicatória Nietzschiana. Como adoro as suas ideologias!

Carlos Alves disse...

Por vezes, choramos por quem não gostamos. Pessoalmente, não gosto de mostrar sentimentos, não há necessidade de me abrir a alguém que pode não ter as tão boas atenções que queremos ver nos outros.
E.. Nietzsche?

Qual é a recompensa dos vivos?